A Quinta As Raízes

Passear pelas ruas de Fontes era para ele o despertar da sua verdade. Conhecido por todos, principalmente pela história das suas raízes, Pôpa era o filho não reconhecido pelo seu afortunado pai.

Vaidoso, ritmava o seu passo para que as meninas se assomassem à janela enquanto passava, como quem vê a banda a passar.

Trabalhador, ajudava a sua mãe laborando arduamente nas vinhas do seu pai, carregando cestos repletos de uva até aos antigos lagares onde, através desse fruto saboroso e nutritivo da terra e do trabalho do homem, nasceria a bebida privilegiada, o precioso néctar, o vinho.

Simples, vivia as tristezas aceitando as diferentes realidades sociais que o separavam daqueles que eram sangue do seu sangue, e celebrava as conquistas na altura das vindimas.

Apaixonado, encontrou o amor e viveu o romance da sua vida. Casou-se e a sua esposa presenteou-o com três filhos.

Mudou, não se separando da lealdade prometida à sua mãe e aos valores que a mesma lhe incutiu desde criança.

Quem diria que, no futuro, este filho iria privilegiar a raiz da sua verdade, dando ao fruto que antes era a sua fonte de subsistência e da sua família - a uva - a consistência de uma história bem contada com um paladar adocicado.

Feliz, morreu com dignidade, descansando junto daqueles que amava e principalmente na sua terra, junto das vinhas do seu pai, com a promessa de um dia este o reconhecer como filho.

Hoje, é uma honra para um dos seus filhos presentear-vos com este néctar, fazendo questão de que a expressão de luta, do harmonioso casamento entre a terra, o amor, a arte e a vaidade vivido pelos seus antepassados, vos oferecesse Quinta do Pôpa, uma quinta que presta homenagem ao seu reconhecidíssimo pai.

Zeca do Pôpa

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