Imprensa Revista Fugas 2010

Quinta do Pôpa Vinhas Velhas 2007

Luís Pato e a carne sem osso

Manuel Carvalho

O surgimento no mercado de novas marcas deixou há muito de ser notícia. Mas não é todos os anos que novas quintas localizadas junto à margem do rio Douro, em lugares emblemáticos como o traçado da E.N. 222 entre a Régua e o Pinhão, têm o condão de se mostrar. Em bom rigor, o que é desde há dois anos a Quinta do Pôpa foi outrora a Quinta do Vidiedo, embora as suas fronteiras actuais contemplem outras parcelas adquiridas a produtores locais. Se a mudança de nome é significativa, o que merece encómio foi o esforço de um lavrador duriense, conhecido como Zeca do Pôpa, que ao longo  de anos foi construindo o empreendimento que, postumamente, recebeu a sua alcunha em jeito de homenagem.

Os primeiros vinhos da Quinta do Pôpa surgiram no mercado há muito pouco tempo e quem conhecesse a sua localização, ou melhor, o seu terroir, seria de imediato levado a acreditar que só poderiam ser maus se por ali grassasse negligência ou incompetência. Na quinta, vinhas antigas instaladas em socalcos cm mais de 50 anos combinam-se com modernas plantações com as castas mais atraentes da região. A sua exposição é magnífica. O seu equipamento é moderno. E, factor tão importante como os que são concedidos pela natureza, o supervisor pela enologia da casa é o bairradino Luís Pato.

Luís Pato diz há muito que “o Douro é carne sem osso” e, no caso em concreto, o “cozinhado” que fez com as massas da Quinta do Pôpa ficou suculento e apetitoso. Irreverente e inventivo como é, não se podia acomodar a tratar da enologia , e é à luz desta atitude que se lançou a fazer o trepa, uma mistura de tinta Roriz duriense com baga da sua vinha pan. Depois, fez questão de tratar os vinhos da sua nova aventura com princípios que há muito defende. A elegância, a vivacidade dos taninos, o recurso ponderado à madeira, são atributos que fazem parte da sua imagem de marca.

Da colheita de 2007, provámos dois tintos da Quinta do Pôpa que merecem atenção. Não atingem ainda os limites superior dos congéneres durienses do ano, mas para uma marca novata o que se pode dizer é que foi feito muito em pouco tempo. No caso da Touriga Nacional, que custa cerca de 15 euros, impressiona a dimensão floral da casta, a sua subtileza, a sua densidade aromática. O Quinta do Pôpa Vinhas Velhas, que estagiou quatro meses em meias barricas novas e deu origem a 3333 garrafas, persegue a fisionomia do seu irmão varietal, conservando a sua elegância, mas sustenta-se numa estrutura mais complexa e sólida que o aproximam dos clássicos.

Com aromas de fruta preta, algum mentolado e notas que sugerem as fragrâncias de arbustos durienses, este é um vinho que provoca uma explosão de sensações na boca. Bem balanceado, sofisticado e opulento, com uma armadura de taninos enorme e já evoluída, é um duriense a ter em conta. Bebe-se bem desde já, mas há-de ser muito mais impressionante depois de passar um bom par de anos na garrafa. Também aqui, a assinatura de luís Pato é sinonimo de garantia

Quinta do Pôpa Vinhas Velhas 2007

Castas: Vinhas com mais de 60 anos, com predomínio da Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Franca e Tinta Barroca.

Graduação: 14.5% vol.

Região: Douro

Preço 25€

Nota de prova: 8,5/9

Relação Qualidade/Preço: 8

Escala de 1/2 (Mau) a 9/10 (excelente)

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